Depressão é uma doença diferente, enigmática e de fácil julgamento. Primeiro por que ela não se manifesta fisicamente (de inicio, é claro). Depois por que a depressão não tem uma causa comum a todos. Tipo câncer de pulmão, que é causado pelo cigarro. A depressão vem de dentro de nós, mas cada pessoa tem um caminho diferente para chegar até lá. E por fim, é uma das doenças mais julgadas pelas pessoas. Como ela não se mostra de cara, as outras pessoas acham que é frescura, falta de religião ou pedido de atenção.

As pesquisas falam que a depressão é a doença do milênio, e que grande parte da população mundial está sofrendo disso. Mas eu só vejo pessoas debochando, brincando e julgando o depressivo. Não é como se a gente quisesse ter depressão, tá? É uma doença como outra qualquer, ninguém pede para ter.

A vida de uma pessoa com depressão é como a previsão do tempo: amanhã diz que vai ser um dia ensolarado, mas acaba chovendo no final da tarde. Mesmo que tudo aparenta ser luz, às vezes, a onda da bad vibes simplesmente resolve fazer uma visita. Nada é sempre 100%.

Eu não sei explicar bem como é a depressão que eu sinto, e por isso não posso generalizar. Tem dias que acordo bem, tenho um ótimo dia, e no outro amanhecer, simplesmente não quero sair de casa. São inúmeros sentimentos que lutam na direção contraria de uma força interior que tenta te empurrar para o mundo lá fora.

Algumas pessoas que me conhecem, que convivem comigo ou mesmo que me seguem no Instagram não imaginam que fui diagnosticado com depressão. Sou uma pessoa sorridente, que estuda, trabalha, corre atrás dos seus sonhos e que ama viver. O estereótipo de alguém com depressão não bate muito com o jeito que terceiros me veem. E isso é mais comum do que imaginamos.

Você pode me ver bem arrumado e sorridente, por fora. Por dentro, o sentimento pode ser de um vazio, cansaço e de alguém que não queria ter tirado seu pijama e muito menos ter levantado da cama. Nem tudo é tristeza, nem tudo é alegria. Eu diria que tem dias que vão de 8 à 80. A pessoa que está ao seu lado pode ter depressão e você nem imagina. Já pensou nisso?

A dor do outro é imensurável por alguém que não o sente. A empatia muitas vezes falta. Uma simples mensagem de “Tudo bem?” pode mudar a previsão do tempo de nublado para céu aberto. Tem gente que prefere ficar no seu canto de vez em quando até se sentir bem novamente, mas também tem gente que só espera o apoio e a presença de pessoas que ama para voltar ao seu estado normal.

Como já disse, a depressão é diferente para cada pessoa. Assim como eu amo viver, outros só conseguem pensar em tirar a própria vida. Para mim, a morte não é a solução dos problemas, mas para outros, é…

Certa vez, convivi com um depressivo, antes de eu ter o mesmo diagnóstico. A raiz da depressão dele era a perda de alguém muito importante. Durante esse período, eu fui eu mesmo, do meu jeito, sem forçar nada e nem dar uma de psicólogo.

Quando me falavam que fulano estava em depressão, eu não imaginava como era e nem a intensidade, até conviver no mesmo ambiente. Eu não conhecia mais aquela pessoa. Não tinha mais os mesmos gostos, não sentia prazer em fazer o que costumava amar, apenas vivia no automático e se isolava sempre que possível.

Então, eu descontrai, apoiei, incentivei a fazer as coisas que gostava, defendi em algumas ocasiões e estive presente. Aos poucos fui vendo aquela pessoa voltar a ser quem eu conheci anos atrás. Hoje, ele não está curado, mas vive e convive de outra maneira. E eu continuo presente.

Se você me pedisse um conselho, eu diria: apoie o depressivo que está ao seu lado, esteja presente, não fale só sobre esse assunto, chame-o para distrair a mente, incentive-o a procurar um psicólogo e um psiquiatra. Atitudes desse tipo podem mudar totalmente a vida dessa pessoa.

Eu não sei se há uma cura para essa doença, ou se esses sentimentos negativos vão estar sempre ali guardadinho só esperando um gatilho para ressurgir. Eu só sei que preciso lutar contra isso todos os dias e que tudo podem ser flores, desde que eu regue-o diariamente.

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